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RETROFIT - ICON 1135

LOCAL Joinville SC

ÁREA 2.200 m²

PROJETO Ricardo Pachla

ANO 2016 a 2018

STATUS Executado

FOTOGRAFIA Eduardo Macarios

Construída em 1962 e localizada no centro histórico de Joinville, o antigo shopping da cidade possui uma triste história de vida.

Quando construída adotou uma solução Kitsch que buscava resgatar elementos da arquitetura tradicional alemã. Sem muito entendimento da técnica pelas quais as soluções eram adotadas e com uma visão um tanto quanto distorcida sobre as soluções vernaculares de sua tradição, construiu-se um grande volume de concreto com revestimentos adornados de madeira e janelas com enfeites de coração. Internamente os corredores faziam "zig zags", a escada ocupava um espaço expressivo ao centro do empreendimento e o último pavimento possuía um grande espaço de pé-direito triplo sem ventilação e iluminação natural.

Com o passar do anos ela ainda foi exposta a uma série de intervenções, descaracterizando sua proposta original e criando uma ruptura ainda maior no contexto urbano, o qual é marcado por arquiteturas originais do século XIX e tombadas pelo estado de Santa Catarina;

Não bastasse o apelo plástico a qual foi submetida, a obra ainda sofreu dois desabamentos de laje, ocasionando o falecimento de alguns usuários.

O desafio foi transformar de vez a arquitetura, alterando seu uso para adaptar-se ao contexto comercial da região e dando um caráter temporal para a mesma.

O primeiro passo foi remover todas as alvenarias, “puxadinhos” e acabamentos deteriorados. Durante a remoção foram encontrados 4 camadas de piso, indicando pelo menos 3 intervenções de reforma.

Ao final desta primeira etapa, sobraram apenas as lajes, a estrutura principal e as vedações periféricas.

A partir da estrutura original, a qual fora condicionante, dispuseram-se quatro volumes puros, deslocados entre si. Esta solução permitiu suavizar a proporção da edificação original, fazendo com que a mesma conversasse com as linhas médias da arquitetura vizinha – a qual é tombada – e se aproximasse da escala humana dos transeuntes do centro.

 

A distribuição escalonada dos volumes viabilizou uma área de abrigo sobre o passeio e ainda duplicou a área de vitrine das lojas. Esta solução consequentemente gerou um caráter brutalista para arquitetura, marcando e norteando as próximas tomadas de decisões arquitetônicas.

Internamente a arquitetura vai se transformando a medida que o usuário transcorre pelos volumes mencionados. Pelo térreo tem-se acesso a duas grandes lojas e ao hall do condomínio, que dá acesso ao último pavimento onde encontram-se as nove salas de escritório.

Nos dois primeiros – térreo e mezanino – a arquitetura é tomada pelo branco que facilita a implantação das lojas e dá evidência aos móveis; o pé direito duplo com grandes panos de alvenaria conectam visualmente os dois pavimentos.

Após a remoção das alvenarias e revestimentos, notou-se que algumas vigas possuíam fissuras, as lajes balançavam com vibrações externas e os testes de prova no concreto mostraram baixa qualidade no mesmo. Sendo assim, além da estrutura metálica já prevista como reforço para a reforma, imediatamente foi adicionada uma estrutura secundária, com blocos de fundação independentes da estrutura original para redistribuir os esforços do que já havia lá.

Para os blocos utilizou-se o sistema de estaca raiz, que permitiu pequena intervenção na estrutura original. Os pilares e vigas secundários foram em perfis metálicos e escoraram as lajes e vigas originais, redistribuindo toda a carga da edificação.

Para os enchimentos de laje e alvenarias utilizou-se o concreto celular. No último pavimento foram utilizados para vedação o sistema de light steel frame com vedação em placa cimentícia natural.

Após o hall do condomínio está o núcleo de circulação vertical que serve de espaço de transição entre os usos e o carácter arquitetônico adotado para o último pavimento.

 

Esta transição é marcada pelos tons de preto, azul marinho e dourado. Elas buscam um link visual entre o último pavimento e o térreo. O dourado remete aos tons de madeira, o azul marinho ao estofado dos móveis e o preto a padronização do piso.

A fachada ficou dividida em três frações, sendo as duas maiores dedicadas a vitrine das lojas e a menor para o hall de acesso ao condomínio. 

O hall é marcado por dois volumes puros de madeira que se destacam no ambiente minimalista com tons neutros de preto e branco.

 

No volume de baixo é feito o controle de acesso e no de cima é ocultado a área de apoio aos funcionários do condomínio.

Entre os escritórios e o núcleo de circulação vertical foi posicionado um estar, que evidencia a estrutura original e busca transmitir a sensação de silêncio para quem por ali passa.

O ambiente possui uma entrada de luz zenital que permite ao usuário ter contato visual com o céu e funciona como uma espécie de relógio de sol, transcorrendo o desenho da luz pelo ambiente ao longo do dia e das estações

Este pavimento resgata o acabamento externo para dentro dos ambientes. Uma linha traçada pouco acima da altura dos usuários, divide as texturas de branco e cinza e horizontaliza a perspectiva dos espaços. 

Isto permite um pé direito livre de 3.2 a 8 metros de altura sem romper o equilíbrio visual dos espaços e sem comprometer a escala humana inserida no contexto.

Todos os escritórios foram dotados de pátios privativos, levando iluminação e ventilação natural, além de qualidade espacial, para dentro dos escritórios.

A modulação do forro, dos vidros e das placas cimentícias foram projetadas para terem o mesmo alinhamento. O encontro das linhas harmoniza e organiza visualmente o ambiente.

DURANTE A OBRA:

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PROJETO: